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Decisão de Barroso sobre não petistas é vergonhosa, preconceituosa e escandalosa. Que se declare logo que os petistas estão acima da lei. Seria mais honesto intelectualmente

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26/06/2014  às 15:06 Roberto Barroso: um homem de olhar penetrante e juízos heterodoxos Se Romeu Queiroz e Rogério Tolentino quiserem trabalhar fora, vão ter de fazer como José Dirceu e Delúbio Soares: inventar um emprego para enganar a Corte. Aí o ministro Barroso topa. O ministro, que já confessou curtir Taiguara e Ana Carolina, certamente conhece Cazuza… Deve cantarolar por aí: “Mentiras sinceras me interessam/ me interessam…”. Até lamento associar um roquinho bacana da década de 80 a Barroso, que vem de décadas muito anteriores, do tempo em que o direito servia mais a um pensamento, a uma ideologia, do que ao império do texto legal. Então vamos ver: com base na decisão tomada ontem por expressiva maioria do Supremo — 9 a 1 —, ele liberou para o trabalho externo também Delúbio Soares, aquele que sabidamente gozava de privilégios na cadeia, o que está fartamente demonstrado, desrespeitando um dos requisitos para o trabalho externo, que é justamente o bom comportamen...

Vai ter Copa

Jornal O Estado do Maranhão           É bobagem das grandes desejar a derrota do Brasil na Copa sob o argumento de que, vitoriosa, a Seleção ajudaria a presidente Dilma na tentativa de reeleição em outubro próximo, como se houvesse relação de causa e efeito entre vitória (ou derrota) no futebol e avaliação positiva (ou negativa) do governo dela ou de qualquer outro. A administração federal por certo é muito ruim, mas não será o resultado da competição que fará as pessoas mudarem de ideia a respeito do governo do PT e sobre o próprio partido.           Equívoco de natureza semelhante, todavia diferente no objeto de crítica, é o relativo ao volume de recursos públicos aplicados na construção de estádios e ampliação de sistemas urbanos de transporte de massa. O total desses dinheiros é, relativamente às necessidades imediatas de investimentos públicos, pequena. O problemas não está aí, está na falta de cumprimento das promessas, como ...

Futebol e memória

Jornal O Estado do Maranhão           A espécie humana tem uma característica especial, a capacidade de lembrar. Sem ela não seria possível sequer a estruturação da nossa própria personalidade. Uma das evidências disso está em doenças degenerativas como o Alzheimer. Varrendo o passado da mente das pessoas dele acometidas, destrói também a personalidade.           Mas, é preciso não cair em armadilhas. A ninguém é estranha a afirmação: “No meu tempo tudo era melhor”. A mente é seletiva ao recordar. Passado algum tempo de certos acontecimentos em nossas vidas, ela começa a selecionar apenas os fatos mais agradáveis, esquecendo muita coisa nociva ao equilíbrio psicológico. Lembrar tudo do passado seria terrível maldição. Eu mesmo tive experiência que costumo apresentar como exemplo de como eliminamos as más lembranças.           Quando fui estudar economia nos Estados Unidos, na Universidade de Notre Dame, p...

Novos empregos serão abertos, para enfrentar a tarefa hercúlea de atualizar nossa literatura

Globo On Line - 1/6/2014 João Ubaldo Ribeiro           Não sei se vocês lembram, ou que fim levou, aquela história de censurarem, expurgarem ou proibirem um livro infantil de Monteiro Lobato, por aspectos considerados racistas. De vez em quando, fico um pouco impaciente e pergunto por que não proíbem logo “Os Sertões”, com tanto racismo contido na parte que todo mundo diz que leu, mas não leu, a referente ao homem. Deve ser porque de fato não leram, senão a grita ia poder começar até mesmo por Itaparica, onde somos todos, de acordo com a visão dele, mestiços neurastênicos do litoral. A antropologia da época tinha convicções que podem hoje ser qualificadas de racistas, mas era a ciência de então e no mesmo barco estão outros cuja obra haverá de merecer ser reescrita ou banida, como Oliveira Vianna ou Sílvio Romero. Imagino que devemos até nos surpreender por ainda não terem começado uma reavaliação da figura de Machado de Assis, sob a acusação de ele ter si...

José Chagas

Jornal O Estado do Maranhão           A morte de José Chagas me leva a pensar sobre o destino da obra dos grandes homens como ele. Olhemos sua literatura. São unânimes as opiniões dos mais influentes analistas literários de nossa terra como também do restante do Brasil e até do exterior: a importância de seu trabalho é enorme. Não quero, assim, chover no molhado louvando suas qualidades indiscutíveis. Estas têm sido apontadas por gente qualificada a fazê-lo, tanto agora, quando de seu falecimento, quanto ao longo desses anos todos de farta e bela produção artística.           Vindo da Paraíba para o Maranhão em 1948, exatamente no ano em que nasci, aqui deu nesses 66 anos contribuição inestimável a nossa cultura. No entanto, o homem do campo paraibano que o habitava, ou, dizendo com mais propriedade, o homem nordestino, no que este tem de único e não maranhense – na maior parte história o Maranhão esteve mais voltado, cultural e econ...

Bola e Política

Jornal O Estado do Maranhão           A primeira Copa do Mundo realizada no Brasil, em 1950, permanece até hoje, passados sessenta e quatro anos, como lembrança dolorosa pela inesperada derrota da Seleção para o Uruguai. Necessitávamos tão só de empatar, mas perdemos por 2 a 1, apesar de termos feito 1 a 0 na partida do quadrangular final que proporcionou a obtenção pelos simpáticos uruguaios do segundo título mundial no torneio (o primeiro foi em 1930, quando o futebol era quase outro esporte em comparação com o de hoje).           Tenho escutado de pessoas sensatas, em outras circunstâncias incapazes de se deixarem levar pelas emoções do momento, o desejo de novo fracasso em casa, neste ano de 2014. Elas desejam justificadamente tirar o PT do poder, como também desejamos, eles e eu, dentro da legalidade, sem mensalão nenhum e sem tentativas de desmoralização do Supremo Tribunal Federal e, portanto, da justiça. Pensam essas pessoas ...

Refinados

Jornal O Estado do Maranhão            Vamos supor, apenas supor, porque sei que você, leitor, não é dono de empresas nem pessoa sedenta de lucro, insensível aos problemas sociais, adepto do capitalismo selvagem –que você possua uma refinaria. Um dia tem notícia da existência de outra colocada à venda por meros US$ 40 milhões. Seu instinto de homem de negócio (vou dizer baixinho: seu instinto de obter lucro no mercado) lhe diz: “Vai lá e compra, o preço está uma pechincha. Corre agora”. Chegando lá, o proprietário muda a conversa e lhe diz que as dificuldades têm sido imensas, devido a problemas trabalhistas e gerenciais. Encurtando a conversa: ele só vende por R$ US$ 350 milhões, pois precisa sair do buraco.            Você é um empresário com muito dinheiro de seu próprio bolso investido em sua própria empresa, corre riscos na concorrência com outras de seu ramo, pois pode quebrar de uma hora pra outra se não administrá...