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Terra quente

Jornal O Estado do Maranhão Voltam às manchetes as preocupações com os efeitos dos gases-estufa sobre o ambiente terrestre. Como já está bem estabelecido, em inúmeros estudos de renomadas instituições de pesquisa, o uso de combustíveis fósseis, especialmente de petróleo, como fonte de energia para as atividades produtivas, gera gases, como o gás carbônico (CO 2 ), que retêm o calor do sol na atmosfera. Resulta daí que ela passa a funcionar como uma estufa em relação à Terra. Como a utilização desses combustíveis vem aumentando persistentemente, nosso planeta experimenta uma elevação gradual e constante de temperatura. Os especialistas prevêem um aumento médio, mantidas as atuais tendências, de 5,8 graus Celsius, até o ano 2100. A quem achar que isso é pouco, recomendo que imagine os efeitos, sobre as cidades costeiras, da subida de somente um metro no nível dos oceanos, como decorrência do derretimento das calotas polares. A salinização dos lençóis de águas subterrâneas que, em nossa c...

Pinto na sudam é gavião

Jornal O Estado do Maranhão A imprensa brasileira tem, insistentemente, nos últimos meses, feito denúncias bem fundamentadas de roubalheiras em alguns órgãos públicos federais. A Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia – Sudam posicionou-se, com agilidade, em primeiro lugar nesse campeonato da corrupção. Os golpes contra os contribuintes indefesos somam, até agora, R$ 2 bilhões. Diante dessa quantia, o assalto da quadrilha do ex-juiz Nicolau Lalau e do ex-senador Luís Estêvão, durante a construção do edifício do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo, é pinto. Pinto, por sinal, é o nome do chefe operacional do bando da Sudam, se forem corretas as informações da revista Veja , com base em escutas telefônicas feitas pela Polícia Federal com autorização da Justiça. Os próprios fiscais do órgão, encarregados da investigação inicial, são acusados de receber propinas para ocultar irregularidades. Para fazer uma avaliação sobre o tipo de gente com quem estamos tratando, basta ver ...

Maria Celeste

Jornal O Estado do Maranhão   O ano de 1954 foi de grande agitação política no Brasil do que resultou o suicídio, em agosto, do presidente e ex-ditador Getúlio Vargas. A tragédia de Getúlio foi precedida, em São Luís, por uma de outro tipo que mobilizou a cidade intensamente. Ela se tornou inesquecível para o garoto de seis anos de idade que eu era. Foi o incêndio e naufrágio do navio Maria Celeste, a pouca distância do cais da Sagração, no porto de São Luís. Em verdade, não cheguei a ver o incêndio. Não me lembro mesmo se cheguei a pedir para ir vê-lo. Sei que não fui. O que vi, sim, lá do Monte Castelo, olhando na direção do centro da cidade, foi a fumaça preta subindo espessa durante três dias. A agitação, as conversas dos adultos, as notícias das rádios (não havia televisão) e o que eu já podia captar dos textos e fotos dos jornais, tudo me fazia intuir que aquele era um acontecimento extraordinário. As lendas que iam aparecendo rapidamente, as quais eu guardo até hoje, falavam...

Homens e dinossauros

Jornal O Estado do Maranhão Acaba de ser anunciada a descoberta, no Quênia, de um crânio fossilizado de um hominídeo de 3,5 milhões de anos. Ele seria de um gênero desconhecido e mais antigo, mesmo, do que o Australopithecus , nosso ancestral de 3,2 milhões de anos que era considerado o mais remoto. Os dois gêneros teriam convivido durante alguns milhares ou milhões de anos, levantando dúvidas sobre qual deveria ser considerado o verdadeiro pai, ou avô, da espécie humana. Não querem os cientistas, naturalmente, contestar a hipótese criacionista do surgimento da vida na Terra, em sete dias, por meio de um sopro divino, como diz a tradição. Essa é matéria das religiões, não da ciência. Questão de fé que, ao remover montanhas, pretende afastar, junto com elas, as dúvidas, insinuadas pela ação sorrateira da serpente do Paraíso, quanto à forma como os seres humanos e os outros apareceram neste planeta perdido no meio de milhões de outros. O certo é que a descoberta recente gerou uma grande ...

Maranhenses em machado

Jornal O Estado do Maranhão Machado de Assis tinha genuína admiração pelo Maranhão. Durante sua longa carreira de cronista em diversos jornais do Rio de Janeiro, fez ele, muitas vezes, referências elogiosas a maranhenses: Joaquim Serra, João Lisboa, Gonçalves Dias, Sotero dos Reis, Odorico Mendes, Henriques Leal, Gomes de Sousa, Gentil Braga, Sabas da Costa, Artur Azevedo, Teófilo Dias, Raimundo Correia, Coelho Neto. Para bem se avaliar a proximidade de suas relações com os escritores do nosso Estado, é suficiente dizer que por ocasião de sua morte estavam a seu lado Coelho Neto, Raimundo Correia e Graça Aranha, bem como os não maranhenses Mário de Alencar, José Veríssimo, Rodrigo Otávio e Euclides da Cunha. Em crônica de 5 de novembro1893, na Gazeta de Notícias , o escritor carioca mostra irritação com uma expressão que se tinha tornado um modismo por influência da comédia V erso e reverso de José de Alencar. Um personagem, mal entrava em cena, disparava a pergunta: Que há de novo? D...

Coco mata

Jornal O Estado do Maranhão Hoje, já não se sabe mais o que fazer para ter uma vida dita saudável. Durante anos, ouviu-se dizer que o uso da margarina, em substituição à manteiga, é que é o certo para evitar o mau colesterol e outros problemas. Um estudioso qualquer, que levou anos pesquisando, enquanto a gente enchia o pão e a frigideira de margarina, está dizendo que não faz diferença. Um dia pode, outro dia não pode. Um dia deve, outro não. Desse jeito acaba-se morrendo é de susto, no mais perfeito estado de saúde. Houve um tempo em que correr, “fazer cooper”, era o máximo. Quem não fizesse ia, já, já, ter um ataque de coração, talvez um derrame cerebral, hoje apelidado de AVC, Acidente Vascular Cerebral. Ou uma doença ia atacar. Qualquer uma. Depois de muitas vértebras deslocadas, tendinites e outras mazelas, veio a novidade: andar é muito melhor do que correr. Nada de forçar a coluna, prejudicar o joelho, torcer o tornozelo etc. Nessa época, um amigo meu ia à praia, diariamente, “...

Provisória ou permanente?

Jornal O Estado do Maranhão Quem tem, ou já teve, conta bancária sabe. O governo federal, há anos, vinha ficando, primeiro com 0,20%, depois com 0,30% de qualquer valor movimentado nela, por imposição da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira — CPMF, o “imposto do cheque”. Não mais. A percentagem irá subir para 0,38% no dia 18. Pelo que se ouve, a intenção do governo não é, tão-somente, de aumentar a alíquota. É, também, de tornar permanente o que era para ser provisório. Como, aliás, todo mundo dizia. Menos, é claro, as autoridades fiscais. A desculpa para a criação do tributo foi a necessidade de obtenção de recursos para projetos sociais. Para o aumento mais recente foi outra, embora semelhante: a geração de novos recursos para o Fundo de Combate à Pobreza. No entanto, a arrecadação da CPMF, também como previsto, tem sido, sistematicamente, desviada para outras finalidades, ao arbítrio das necessidades emergenciais de caixa do Executivo federal. A facilidade de coleta...