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Aml, festejos no Centenário

Jornal O Estado do Maranhão Há duas semanas, no dia 23 de abril, a Academia Maranhense de Letras recebeu em sua sede a Universidade Estadual do Maranhão – Uema , que na ocasião lançou 10 livros resultantes do trabalho de 9 de seus pesquisadores. A solenidade serviu a duas finalidades principais. A primeira foi a de apresentar ao público não universitário parte da produção acadêmica da Uema. A outra foi a de homenagear a AML no ano do seu Centenário. Como bem disse o reitor, professor José Augusto Oliveira, existe natural atração intelectual entre as duas casas de cultura. A fim de tornar concreto esse potencial de cooperação, foi assinado entre as duas instituições um convênio que tornará possível, entre outras ações, a implementação de um indispensável programa editorial, sem o qual os festejos do Centenário estariam incompletos. Serão publicados doze livros, um de cada fundador da Academia, recolocando em circulação livros que, a par de possuírem valor por si mesmos, são exemplifi...

Fora Inflação

Jornal O Estado do Maranhão Varrida sem clemência da vida brasileira a CPMF – imposto que, de renovação em renovação, tornou-se tão provisório que chegou a ser permanente, situação conveniente em mais de um sentido, porque permitiu, entre outras coisas, a permanência da sigla com o P original e, também, abundância de recursos para compras diversas – proclamaram para dali em diante desastre nunca experimentado pelos brasileiros na administração das finanças públicas. Ninguém seria capaz de governar sem ela, diziam. Feito a canção de Assis Valente: “anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar”. Pois é, gente simples e crédula, acreditando na história, começou a rezar, já que o fim estava próximo e melhor seria confessar de imediato os pecados, antes da hora fatal, a tempo de salvar a pobre alma atribulada. Qual seria o destino – botavam a mão na cabeça, – do Bolsa-Família e outros programas sem o tal imposto? Viveriam de que jeito, as massas espoliadas, mais uma vez vítimas da ganâ...

Caudilhismo

Jornal O Estado do Maranhão Cuba tem, a Venezuela tem, o Equador também, a Argentina adquiriu um exemplar recentemente e há mais candidatos a caudilho por toda a América do Sul, região com história de ditadores bufões levados nos braços do povo e elevados ao poder como salvadores da nação. “Será que nunca faremos senão confirmar/A incompetência da América Católica/Que sempre precisará de ridículos tiranos”, como perguntou Caetano Veloso na sua canção Podres Poderes? Não poderia o Brasil também ter o seu? Pode ser fora de moda, pode ser compreensível em povos “em desenvolvimento”, no dizer preconceituoso de alguns cientistas sociais, pode ser, até, se quisermos adotar um critério estético de julgamento, cafona e, ainda, constrangedor aos olhos de uma Europa que, em outras circunstâncias se curva, como de costume, humildemente ao Brasil, pode ser coisa de gente sem cultura política ou cultura de tipo nenhum, ansiosa para se aproveitar do poder. Mas, seja como for, é, acima de tudo, imo...

Conversa com máquina?

Jornal O Estado do Maranhão Faz sete anos que fiz aqui, a 23 de março de 2001, referências ao brasileiro Jean Paul Jacob, ex-aluno do Instituto Tecnológico da Aeronáutica e pesquisador do Centro IBM de Pesquisas, na Califórnia. Ele se dedica ao estudo da evolução futura da tecnologia, sendo, portanto, uma espécie de futurólogo. Não daquele tipo visto nos finais de ano na televisão, especialista em prever o óbvio, e tanto, que é capaz de dizer que no Ano Novo pessoa muito conhecida no mundo dos esportes se divorciará, depois de um longo casamento de dois ou três anos. O homem de quem falo leva sua especialidade a sério, mas escorregou ao fazer naquele ano sombria previsão sobre a morte do livro de papel. Dadas as tecnologias disponíveis, a maioria dos estudiosos do assunto não vê justificativa para previsões como a dele. Alguns admitem a possibilidade de o suporte do livro – o próprio papel – ser substituído por materiais com as mesmas características das dele, em termos de flexibili...

Conduta animal

Jornal O Estado do Maranhão Vejam, caros leitores, como os animais se comportam, de acordo com cientistas de renomados centros de pesquisa. A revista PLoS One , sigla em inglês de Biblioteca Pública de Ciência 1, revista científica eletrônica, publicou há poucos meses um estudo realizado na Universidade da Pensilvânia com a mosca-da-fruta, nome popular da Drosophila . Os machos da espécie, ou, podemos dizer, os machões, submetidos durante certo tempo à ingestão constante de álcool, tornaram-se mais ativos sexualmente e se danaram a perseguir as fêmeas e, surpresa, outros machos. No início da farra, quando percebiam o engano com respeito ao objeto do desejo, eles recuavam, mesmo desejosos de sexo. Os pesquisadores disseram que a reação – vamos chamá-la de reação etílico-sexual –, se acentua com o aumento da dosagem e idade: quanto maior a quantidade ingerida e mais velhos os machos doidões, mais eles se esquecem das fêmeas e atacam outros machos, conhecidos ou estranhos. Chegam, até,...

AML e Machado

Jornal O Estado do Maranhão Este 2008, ano do Centenário da Academia Maranhense de Letras, assinala também os quatrocentos anos do nascimento do padre Vieira e os cem da morte de Artur Azevedo. Centenário de morte também é o do carioca Machado de Assis. Ele mantinha ligações com o Maranhão, pois tinha amigos daqui, a exemplo de Joaquim Serra, e admirava os intelectuais maranhenses, como mostrou desde cedo em sua carreira de cronista, aos 21 anos, quando pela primeira vez referiu-se à então Província, a 11 de dezembro de 1861, no Diário do Rio de Janeiro. Deu na ocasião notícia da volta de Gonçalves Dias de uma viagem ao norte do país na condição de membro de uma Comissão Científica de Exploração. Muito tempo depois, em 1894, no dia 27 de maio, na Gazeta de Notícias, ele relatou um fato ocorrido na Bahia e aproveitou para falar de grandes maranhenses, como fizera vezes sem conta antes. Deu-se que a moça de nome Martinha, de Cachoeira, na Bahia, havia apunhalado um homem que a...

La Ravardière na Academia

Jornal O Estado do Maranhão As festividades do Centenário da Academia Maranhense de Letras têm início na sua sede à rua da Paz, 84, na próxima quinta-feira, dia 6, às 20 horas, com uma palestra sobre La Ravardière, do embaixador Vasco Mariz. Ele acaba de publicar pela editora Topbooks, do Rio de Janeiro, em co-autoria com o escritor francês Lucien Provençal, La Ravardière e a França Equinocial: os franceses no Maranhão ) , que será autografado após a sua fala. Estaria, só pelo livro, qualificado para falar sobre o assunto, se não o fosse também por outras razões. Ele, que já representou o Brasil em Israel, na antiga República Democrática da Alemanha, em Chipre e no Peru, tendo servido também em outros postos da carreira diplomática em Portugal, na antiga Iugoslávia, na Argentina, na Itália, nos Estados Unidos e nas Nações Unidas, é reconhecido nos meios intelectuais brasileiros como grande musicólogo, área em que construiu vasta obra, respeitada no Brasil e no exterior, e também co...