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Justiça na Mídia

Jornal O Estado do Maranhão É comum no Brasil juízes de tribunais superiores emitirem de público opiniões sobre assuntos de interesse da sociedade. Não se trata, é óbvio – não é ocioso enfatizar o óbvio na nossa cultura – de cercear o direito de os magistrados terem opinião. No entanto, a continuar assim, eles darão a impressão de prejulgarem casos que no futuro possam chegar à corte onde atuam. Juiz só dá sua opinião nos autos do processo, como dizem meus amigos advogados e como recomenda o bom senso e a experiência. Se o processo ainda não existe, mas pode existir logo à frente, então os juízes deveriam agir hoje como se já existissem, abstendo-se de proclamar aos quatro ventos seu pensamento sobre o assunto e abrindo mão dos breves momentos de enganosa fama. Ademais, quem garante que a eterna inconstância dos julgamentos humanos não os levará a modificar avaliações com aparência de perfeitas no início? O pleno conhecimento do processo e a consideração ponderada de tod...

Batizado de Ludmila

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25-4-2009 Originally uploaded by Davi Moreira . Batizado da neta Ludmila

Ewerton na AML

Jornal O Estado do Maranhão A semana entrante verá a posse de José Ribamar Ewerton Neto na Academia Maranhense de Letras, cadeira 11, anteriormente ocupada pelo poeta Manoel Caetano Bandeira de Mello. A solenidade terá início às 20 horas do dia 24, sexta-feira, na sede da Academia na rua da Paz. Quem é Ewerton? Nascido no município de Guimarães, ele cursou dois anos de Engenharia Civil, mas não se diplomou, fazendo-o, todavia, em Engenharia Metalúrgica, pela Universidade Federal Fluminense, em 1976. Trabalhou como engenheiro de Alto Forno, na Cia Siderúrgica Nacional, na Cia Siderúrgica Belgo-Mineira em Minas Gerais, nesta na função de engenheiro assistente da Divisão de Refratários. Transferiu-se para a Usina Siderúrgica da Bahia. Lá foi Chefe de Divisão de Forno Elétrico. Em junho, de 1988 retornou a São Luis, quando passou a trabalhar na ALUMAR, onde permaneceu até 2006, ano de sua aposentadoria. Nessa empresa, foi engenheiro de processo, até encerrar suas atividade...

Escolhas

Jornal O Estado do Maranhão Perguntam-me com frequência como são escolhidos os membros da Academia Maranhense de Letras. Alguns pensam que, vaga uma cadeira, com a morte de um acadêmico, a diretoria, após um curto período de não mais de uma semana, se reuniria e escolheria um nome de seu agrado, segundo critérios subjetivos. Essa, a visão de um jovem repórter de um jornal local, expressa em telefonema a mim no início do ano, logo após o falecimento do saudoso Antônio Almeida. Informei-o então de que a Academia adota, como é de esperar, processo de escolha democrático, do qual participam todos os acadêmicos, residentes ou não em São Luís Pelo voto direto e secreto, eles elegem o futuro ocupante. Portanto, não é o presidente, que por acaso sou eu, nem os demais componentes da direção da Casa que fazem a escolha. Seus membros em conjunto o fazem sem interferências político-partidárias. O interesse da imprensa é evidência do prestígio da Casa de Antônio Lobo. Ninguém se int...

Marolas e Ondas

Jornal O Estado do Maranhão Inaudito imaginar o Brasil atravessando incólume a crise mundial destes tempos. Seria mero wishfull thinking , pensamento guiado pelo desejo, ou, por outras palavras, crença, inconsciente ou não, de que basta pensar com fervor em algo para ele se tornar realidade. Tal visão constitui a base mental da economia vudu, origem de tantos males às populações cujos governos por ela se guiam. Estas reflexões me ocorrem a propósito das declarações recentes do presidente Lula a respeito de possível imunidade brasileira à crise global que vem afetando todos os países de fato importantes na arena econômica internacional. O presente tsunami chegaria aqui apenas como marolinhas em nada capazes de causar distúrbios de monta ao país. A atividade produtiva não seria afetada (a crise seria financeira e sem efeito no lado real da economia) e, por consequência, não haveria aumento de desemprego, diminuição de renda e todo o longo cortejo de males que acompanham...

Ardil

Jornal O Estado do Maranhão O Brasil é o país do cadastro. Eu já fiz várias vezes essa afirmativa e repito: país do cadastro. Pois não é que o ministro Orlando Silva decidiu que o cidadão brasileiro terá de fazer um cadastro se quiser ir a jogos de futebol? A proposta não surpreende, dada a simpatia de seu partido, o PC do B, pelo extinto regime ditatorial da Albânia e pelas ditaduras de um modo geral, com a só exigência de serem autointituladas comunistas da linha albanesa. Pois bem, o burocrata, incapaz de reprimir a violência nos campos de futebol, obrigação do poder público, ou de oferecer segurança aos frequentadores, achou por bem, sob o argumento de assim preparar o país para a Copa do Mundo de 2014, transferir a tarefa aos cidadãos e tenta fazê-lo com o auxílio de um cartão eletrônico de acesso aos jogos. O lógico, contudo, caso se admitisse, num momento de burocratice explícita, a necessidade de mais um cadastro, seria construí-lo pela inclusão dos baderneir...

Soneca

Jornal O Estado do Maranhão Não sei se o leitor se lembra de meu assunto da semana passada. Lembra-se, claro. Não? Desculpe a pretensão. Aqui está. O ovo, considerado durantes anos e anos o vilão-mor da saúde, por nunca provados malefícios ao frágil coração humano, de repente passou a herói, a quase um certificado de garantia de que podemos viver tanto quanto Matusalém, e mais mil anos, se fizermos farras diárias e espetaculares com ele: feito farofa, omeletes e gemada. Cozido ou frito. Ovo, ovo e mais ovo. Ele foi declarado não apenas inofensivo. Passou à categoria de benemérito do nosso corpo, um insuperável viagra, uma espécie de remédio de "amplo espectro", como dizem as bulas de antibióticos, com efeitos em todo o corpo e não só nos pontos fracos da anatomia masculina. Ou nas pontas. Faz até emagrecer. Agora outra revolução, que não sei se destruirá o Ancien Régime da prática médica, decapitando em pouco tempo quem, com a descoberta, iniciou o movimento...