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Renovação

Jornal O Estado do Maranhão      Todo mundo clama o tempo todo contra a falta de renovação na política brasileira. Em época de campanha eleitoral, como agora, as queixas aumentam. Ora, parece que as pessoas não estão prestando atenção nos cartazes de propaganda espalhados pelo Brasil inteiro. Eles desmentem a tão apressada afirmação. Novidades na política, há muitas.      Repare bem, caro leitor, nas fotos de muitos candidatos e faça sua própria avaliação. Não acredite em minhas palavras. Olhe com muito cuidado o primeiro cartaz que lhe atravessar o caminho. Tire a prova. Os rostos novos diante de seus olhos provocarão imensa surpresa. Você irá procurar lá no fundo de suas memórias primevas e dirá: é verdade, é tudo novo, eu nunca tinha visto nada como isso. Mas, infelizmente, uma dúvida chata e intrometida virá mais tarde se aboletar em sua mente angustiada. É esse sujeito mesmo? Faz tanto tempo! O nome dele, porém, lhe escapa.   ...

Uma escola e duas canoas

 Jornal O Estado do Maranhão      Estivemos no dia 23 de julho no Estaleiro-Escola no relançamento da canoa costeira Dinamar, restaurada e entregue a seu proprietário, o mestre Martins. O que há de especial na restauração de uma embarcação a justificar uma solenidade com a presença do criador do Museu Nacional do Mar, Dalmo Vieira Filho, de membros da Academia Maranhense de Letras (Ubiratan Teixeira, Laura Amélia Damous, Benedito Buzar e eu), do Comandante da Capitania dos Portos, o Capitão de Mar e Guerra Calmon Bahia, da imprensa, de dirigentes de órgãos públicos, de gente do mundo cultural de São Luís? Vamos recuar no tempo a fim de obter a perspectiva adequada à explicação do sucesso daquele evento.      Há 33 anos, Luiz Phelipe Andrès aportou em São Luís para aqui se fixar e dar contribuição importante ao Maranhão, tanto na preservação do Centro Histórico, que culminou no título de Patrimônio da Humanidade, dado pelo Unesco à cidade...

Meu mal, meu bem

Jornal o Estado Maranhão      Quem teve a paciência de me ler quinze dias atrás, no dia 11 deste mês de julho, haverá de se lembrar de minhas considerações acerca do potencial de crueldade – e de bondade, para não sermos injustos com a nossa própria espécie – do ser humano. Alguns leitores me enviaram mensagens em que eu notei certo espanto com minha visão do assunto, como se eu fosse descrente da humanidade, percepção bem longe da verdade. Minha motivação fora o chocante assassinato de Eliza Samudio a mando, tudo indica no momento, do goleiro do Flamengo, Bruno, crime executado por seus comparsas e tão chocante quanto o da menina Isabela Nardoni, assassinada pelo próprio pai e pela madrasta (lembram-se ainda deste caso?).      Eu dizia então: “A afirmação de serem os humanos capazes das maiores baixezas e nobrezas não é menos verdadeira por ser lugar-comum. [...] Chefes nazistas eram capazes de se emocionar verdadeiramente com a música de Wag...

Direito à vida

Jornal o Estado do Maranhão      Combinam-se, no assassinato da ex-namorada do goleiro Bruno, do qual ele é acusado, com razão, parece, fatores culturais e não culturais, na explicação de um crime de grande violência mas não raro e não o mais chocante de quantos o noticiário policial diário nos informa.      O primeiro fator é certamente a mentalidade machista, que ainda tem larga aceitação na sociedade brasileira. Assim, a mulher, aos olhos de enormes e representativas faixas da população – masculina e feminina – é um ser feito com o fim de servir aos machos da espécie em todas as coisas e mais uma.      A essa mentalidade deve ser adicionado, neste caso tão em evidência agora, o status do jogador Bruno como uma pessoa de sucesso, crescente fama e perspectiva de continuado desenvolvimento profissional e, portanto, de elevadíssimo nível de renda e capacidade de influenciar pessoas. Ou talvez fosse melhor dizer que a operaçã...

Zebra, não

Jornal O Estado do Maranhão     Em Copa do Mundo de futebol não existe zebra com respeito ao resultado final. Não será nesta, em terras africanas que têm muitos desses simpáticos animais, que elas irão “adentrar o gramado”, como diriam os locutores esportivos do passado, ou entrar no relvado, em termos portugueses. Vamos aos números, que só mentem se forem torturados barbaramente. (Escrevo na sexta-feira, antes do jogo contra Portugal).     Em todas as Copas, desde a primeira em 1930, quando o Uruguai foi campeão em confronto com a Argentina, até a de 2006, uma das seleções do grupo constituído pelo que eu chamo de Os Quatro Grandes, o G-4 do futebol – Brasil, Argentina, Alemanha e Itália – chegou à partida final, ou duas delas chegaram. Isso quer dizer que, sem exceção, uma delas foi campeã ou vice-campeã em todas as Copas. todas. Nas 10 a partir de 1970 (já foram realizadas 18 e mais a deste ano, a décima nona) e até 2006, em 6 a disputa do título oco...

O Memorial dos 80 anos

Jornal o Estado do Maranhão      Acabo de ler o Memorial dos 80 anos, editado pelo Instituto. Geia O livro é de autoria de Mílson Coutinho, presidente da Academia Maranhense de Letras, onde ocupa a Cadeira 15, patroneada por Odorico Mendes e fundada por Godofredo Viana, governador do Estado entre 1923 e 1926. Em verdade, fiz uma releitura de sua primeira parte, pois esta, revista e atualizada agora, compõe Sarney: apontamentos para a vida e obra do chefe liberal, publicado em 1986.      O presidente da AML, ocupante de Cadeira criada por um político e escritor, escreve sobre outro político e escritor, José Sarney. Este, além de governador, como Godofredo, foi presidente da República e tantas coisas mais que relacioná-las tomaria todo o espaço de minha conversa quinzenal neste jornal. Recomendo aos interessados a leitura da bibliografia de Sarney entre as páginas 344 e 350. Desde já ela se torna a mais completa de quantas já foram elaboradas ...

Vida kafkiana

Jornal o Estado do Maranhão , 30/5/2010 A imprensa deu notícia há poucos dias de um caso terrível. Em Curitiba um homem ficou preso durante um ano e dois meses, mesmo depois de inocentado da acusação de assalto a uma residência. Os policiais suspeitaram dele apenas porque os verdadeiros assaltantes moravam no mesmo bairro do inocente. O pobre pizzaiolo afirmou que vai processar o governo do Paraná por sua prisão. A prevalecer essa ideia de moradores da vizinhança de bandidos também o serem necessariamente, teríamos de criar bairros exclusivos de marginais, a fim de evitar que as pessoas honestas fossem com eles confundidas. Agora outro caso, mais terrível ainda. Na época do Estado Novo, em 1937, na cidade de Araguari, em Minas Gerais, um homem, Benedito Pereira Caetano, enganou seus dois sócios e primos e fugiu com toda a receita resultante da venda da safra de arroz pertencente aos três. Os enganados, os irmãos Joaquim e Sebastião Naves, denunciaram o ladrão à polícia e acabaram pas...