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Fora a CPMF

Jornal O Estado do Marnhão Inspirada pelo governo federal está em discussão no Congresso Nacional a recriação da imoral CPMF – Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira. Antes de seu aniquilamento há não muito tempo, em dezembro de 2007, ela havia se tornado permanente, contrariando seu nome, pela freqüência de sua renovação. Seu fim veio em boa hora e recebeu os aplausos unânimes do povo brasileiro. A ameaça de agora vem do mesmo Congresso que a derrubou, mas não se constrange em querer revivê-la com manobras supostamente espertas e absoluto desprezo pela opinião pública e pelos cidadãos, no pressuposto de ser este um idiota sem capacidade de discernimento e de avaliação seus próprios interesses e os do país. Quando esse tributo foi criado, os parlamentares brasileiros aceitaram sem muita discussão a vã promessa do governo, depois desmascarada como um engodo, de que os recursos se destinariam exclusivamente à cobertura das necessidades financeiras do sistema público de...

Duas figuras maranhenses

Jornal O Estado do Maranhão Em apenas cinco dias saíram fisicamente da vida, para vivos continuarem nas recordações de todos nós, Manoel Caetano Bandeira de Mello, no Rio de Janeiro no dia 8 deste mês, e Luís Carlos Bello Parga, em São Luís no dia 13, membros mais do que ilustres – porque ilustradores da cultura de seu tempo –, da Academia Maranhense de Letras, onde ocupavam e, podemos dizer, ainda ocuparão, porque seus nomes ficarão eternamente ali gravados, a Cadeira de No 11, o primeiro, patroneada por João Lisboa, e a Cadeira de No 33, o segundo, patroneada por Pedro Nunes Leal. Deixaram ambos sua marca no mundo, na sua época e na lembrança de seus amigos, familiares e contemporâneos, que deles se lembrarão por suas qualidades de homens íntegros, dedicados ao trabalho e, sobretudo, à vida do espírito e ao engrandecimento cultural do Maranhão e do Brasil. Nunca encontrei Manoel Caetano pessoalmente. No entanto, desde minha candidatura a uma cadeira na Academia mantivemos vário...

Aml, festejos no Centenário

Jornal O Estado do Maranhão Há duas semanas, no dia 23 de abril, a Academia Maranhense de Letras recebeu em sua sede a Universidade Estadual do Maranhão – Uema , que na ocasião lançou 10 livros resultantes do trabalho de 9 de seus pesquisadores. A solenidade serviu a duas finalidades principais. A primeira foi a de apresentar ao público não universitário parte da produção acadêmica da Uema. A outra foi a de homenagear a AML no ano do seu Centenário. Como bem disse o reitor, professor José Augusto Oliveira, existe natural atração intelectual entre as duas casas de cultura. A fim de tornar concreto esse potencial de cooperação, foi assinado entre as duas instituições um convênio que tornará possível, entre outras ações, a implementação de um indispensável programa editorial, sem o qual os festejos do Centenário estariam incompletos. Serão publicados doze livros, um de cada fundador da Academia, recolocando em circulação livros que, a par de possuírem valor por si mesmos, são exemplifi...

Fora Inflação

Jornal O Estado do Maranhão Varrida sem clemência da vida brasileira a CPMF – imposto que, de renovação em renovação, tornou-se tão provisório que chegou a ser permanente, situação conveniente em mais de um sentido, porque permitiu, entre outras coisas, a permanência da sigla com o P original e, também, abundância de recursos para compras diversas – proclamaram para dali em diante desastre nunca experimentado pelos brasileiros na administração das finanças públicas. Ninguém seria capaz de governar sem ela, diziam. Feito a canção de Assis Valente: “anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar”. Pois é, gente simples e crédula, acreditando na história, começou a rezar, já que o fim estava próximo e melhor seria confessar de imediato os pecados, antes da hora fatal, a tempo de salvar a pobre alma atribulada. Qual seria o destino – botavam a mão na cabeça, – do Bolsa-Família e outros programas sem o tal imposto? Viveriam de que jeito, as massas espoliadas, mais uma vez vítimas da ganâ...

Caudilhismo

Jornal O Estado do Maranhão Cuba tem, a Venezuela tem, o Equador também, a Argentina adquiriu um exemplar recentemente e há mais candidatos a caudilho por toda a América do Sul, região com história de ditadores bufões levados nos braços do povo e elevados ao poder como salvadores da nação. “Será que nunca faremos senão confirmar/A incompetência da América Católica/Que sempre precisará de ridículos tiranos”, como perguntou Caetano Veloso na sua canção Podres Poderes? Não poderia o Brasil também ter o seu? Pode ser fora de moda, pode ser compreensível em povos “em desenvolvimento”, no dizer preconceituoso de alguns cientistas sociais, pode ser, até, se quisermos adotar um critério estético de julgamento, cafona e, ainda, constrangedor aos olhos de uma Europa que, em outras circunstâncias se curva, como de costume, humildemente ao Brasil, pode ser coisa de gente sem cultura política ou cultura de tipo nenhum, ansiosa para se aproveitar do poder. Mas, seja como for, é, acima de tudo, imo...

Conversa com máquina?

Jornal O Estado do Maranhão Faz sete anos que fiz aqui, a 23 de março de 2001, referências ao brasileiro Jean Paul Jacob, ex-aluno do Instituto Tecnológico da Aeronáutica e pesquisador do Centro IBM de Pesquisas, na Califórnia. Ele se dedica ao estudo da evolução futura da tecnologia, sendo, portanto, uma espécie de futurólogo. Não daquele tipo visto nos finais de ano na televisão, especialista em prever o óbvio, e tanto, que é capaz de dizer que no Ano Novo pessoa muito conhecida no mundo dos esportes se divorciará, depois de um longo casamento de dois ou três anos. O homem de quem falo leva sua especialidade a sério, mas escorregou ao fazer naquele ano sombria previsão sobre a morte do livro de papel. Dadas as tecnologias disponíveis, a maioria dos estudiosos do assunto não vê justificativa para previsões como a dele. Alguns admitem a possibilidade de o suporte do livro – o próprio papel – ser substituído por materiais com as mesmas características das dele, em termos de flexibili...

Conduta animal

Jornal O Estado do Maranhão Vejam, caros leitores, como os animais se comportam, de acordo com cientistas de renomados centros de pesquisa. A revista PLoS One , sigla em inglês de Biblioteca Pública de Ciência 1, revista científica eletrônica, publicou há poucos meses um estudo realizado na Universidade da Pensilvânia com a mosca-da-fruta, nome popular da Drosophila . Os machos da espécie, ou, podemos dizer, os machões, submetidos durante certo tempo à ingestão constante de álcool, tornaram-se mais ativos sexualmente e se danaram a perseguir as fêmeas e, surpresa, outros machos. No início da farra, quando percebiam o engano com respeito ao objeto do desejo, eles recuavam, mesmo desejosos de sexo. Os pesquisadores disseram que a reação – vamos chamá-la de reação etílico-sexual –, se acentua com o aumento da dosagem e idade: quanto maior a quantidade ingerida e mais velhos os machos doidões, mais eles se esquecem das fêmeas e atacam outros machos, conhecidos ou estranhos. Chegam, até,...