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O Maranhão não se dividirá

Jornal O Estado do Maranhão Por fim inicia-se interessante discussão sobre a possível criação do Maranhão do Sul. Nela também vou meter minha colher, dizendo logo que sou contra a divisão. Vínhamos ouvindo tão-só pontos de vista de um dos lados, o favorável à separação. Agora poderemos ter uma visão mais equilibrada, pois já temos quem se manifeste contra a idéia, como o jornalista Antônio Carlos Lima em bem argumentados artigos publicados neste jornal. Faltou até agora aos separatistas um requisito básico a debates, não digo sérios porque todos são sérios ou não são debates, mas perda de tempo: a realização de estudos que permitam avaliação dos benefícios e prejuízos da presumível nova situação. Qual seria a base econômica da nova unidade? Sua receita seria suficiente para sustentar a nova burocracia, de contínuos a desembargadores, procuradores, deputados e secretários, e ainda gerar recursos de investimentos? Ou estariam os separatistas contando com ajuda do governo federal? Como...

TV governo

Jornal O Estado do Maranhão O ministro das Comunicações, Hélio Costa, acaba de anunciar a intenção suspeita de criar um novo canal de TV, a ser chamado Rede Nacional de TV Pública do Executivo, com a justificativa de esse Poder necessitar de mais exposição na mídia, quando se sabe que ele é notícia o tempo todo, precisando de menos espaço, não de mais. Com uma eventual redução poderia se dedicar mais a trabalhar e menos a preguiçar, embora isso não seja de modo algum garantido: “Fomos observando as dificuldades que o governo tem de mostrar suas idéias [...]”. Quais? As dificuldades não seriam provenientes exatamente da falta de boas idéias e do excesso de ruins, sendo a nova TV uma destas, como o foi a tentativa de “regulamentar” a profissão de jornalista? Diz mais ele. A nova rede seria “menos chapa branca do que a Radiobrás” e poderia, suprema concessão, até, criticar os governantes, “desde que a crítica fosse correta”, sem explicitar seu conceito de correção crítica., opinião gr...

De ratos e ratos

Jornal O Estado do Maranhão Os ratos são capazes de avaliar os conhecimentos que possuem. Quando postos diante da opção de escolher, com suas pequenas e graciosas patas, entre duas alavancas, uma correspondente a um som longo e a outra, a curto, eles são capazes de acionar a correta, quando ouvem um sinal sonoro de um tipo ou do outro, pelo que são recompensados, vamos imaginar, com um bom pedaço de queijo suíço, daqueles vistos nos antigos desenhos animados de Tom & Jerry. Na hipótese de erro, não recebem nada, nem mesmo um muito obrigado. Quando não têm certeza sobre a extensão do som, eles se abstêm de se manifestar, se lhes é dada esta opção. – Curto ou longo? – devem se perguntar os bichinhos em dúvida angustiante. Quando, porém, não podem se abster e são obrigados a “dizer” alguma coisa, o rendimento em termos de percentagem de acertos das respostas logo cai, mostrando que eles não estão exclusivamente condicionados pela recompensa, tratando-se, em vez disso, de verdadeira i...

Tempo quente

Jornal O Estado do Maranhão O Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática, IPCC, criado em 1988 pela Organização Meteorológica Mundial (WMO) e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP) fez um relatório em 2001 acerca do clima da Terra. Nele advertiu que a contribuição humana para o aquecimento global era “provável”, ante o ceticismo de muitos dispostos a classificar o aviso como alarmista. No início de fevereiro de 2007, o IPCC, após reunir 600 especialistas de 40 países, fez novo alerta, mais enfático, dizendo que a responsabilidade humana é “muito provável” e “inequívoca” no agravamento da situação. Traduzido da linguagem diplomática usada em documentos como esse, obrigado a levar em conta os interesses dos países participantes da organização, isso quer dizer que há uma probabilidade de mais de 90% de a afirmação do painel estar correta, levando-nos a afastar a hipótese de o aquecimento ser tão-só o resultado de fenômenos naturais, que evidentemente não pode...

Conversa fiada

Jornal O Estado do Maranhão Entre as barbáries dos últimos tempos, o assassinato do menino João Hélio, de seis anos de idade, arrastado por automóvel dirigido por bandidos ao longo de sete quilômetros no Rio de Janeiro, foi a que mais chocou a nação. Nessas ocasiões, a resposta da hora toma a forma de indignação e revolta com imposição irrefletida de “rigorosa” legislação como se o problema fosse de falta e não de excesso de leis bem como de ausência de cumprimento delas. Além disso, poucos incentivos ao crime são tão eficientes quanto a certeza da impunidade, ocorrência ordinária no Brasil Mesmo essa reação inócua tem sido passageira e costuma ressurgir apenas quando nova barbárie ocorre. As taxas de criminalidade no país são altas principalmente porque poucos sofrem punições por seus crimes, sejam eles sanguessugas, mensaleiros, traficantes, ladrões de galinha (se alguém ainda se dá o trabalho de roubar essas pobres aves, com tantas oportunidades mais lucrativas de roubo disponívei...

O Maranhão em Machado

Jornal O Estado do Maranhão Já se afirmou acertadamente que a obra de Machado de Assis é inesgotável em suas implicações de toda ordem e sempre proporcionará um ângulo novo de análise ou um achado inesperado ao estudioso. J. Galante de Sousa, em Fontes para o estudo de Machado de Assis anota, para o período que vai de 1857 a 1957, cerca de 1.890 itens referentes a todo tipo de estudos a seu respeito. Jean-Michel Massa, somente para o ano de 1958, no seu Bibliographie descriptive, analytique et critique de Machado de Assis , nos dá outros 713. De lá para cá, esses números não pararam de crescer. Mais recentemente Ubiratan Machado em Bibliografia machadiana , cobriu os anos que vão de 1959 a 2003 e acrescentou mais 3.282 . São várias as razões para esse sucesso de crítica. A principal, penso eu, está no sentido verdadeiramente universal de sua obra literária na abordagem dos eternos temas do sentido trágico da vida e inevitabilidade da morte, das frustrações amorosas e da impossibilid...

Cortar vínculos

Jornal O Estado do Maranhão Mais de uma vez mencionei aqui os problemas criados à política de gastos do governo pelas vinculações constitucionais que forçam o administrador público a aplicar percentuais fixos de seus orçamentos em determinados setores, como em saúde e educação, exemplos mais conhecidos. Seus defeitos eram de todo invisíveis quando começaram a ser usadas, em poucas áreas e sem comprometimento de fração elevada do orçamento. Foram utilizadas a seguir com o fim de vincular tantas coisas, que hoje, a fatia de recursos livres de algum tipo de atrelamento setorial tornou-se pequena, deixando aos responsáveis pelas decisões de política econômica quase nenhuma possibilidade de adequar a composição dos gastos ao ambiente econômico, que pode mudar, e muda. Agora leio na revista Veja entrevista do ex-ministro Antônio Delfim Neto, em que ele fala de “uma lista enorme de emergências no setor público”, dando como exemplo precisamente a questão das vinculações: “No Brasil ela exist...