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O fascínio do futebol

Jornal O Estado do Maranhão Recebo por e-mail, de um poeta e prosador piauiense, de origens maranhenses, sugestões para um artigo sobre “o misterioso fascínio que esse esporte [o futebol] exerce no mundo quase todo”. Radicado há muito em Pernambuco, Luiz Alfredo Raposo é, também, brilhante economista do BNDES em Recife, com doutorado pela Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro. Machado de Assis disse de Gentil Braga que “[...] não morreu este poeta, e escapou ao orçamento e ao esquecimento”, ao comentar, em 1870, o livro Entre o céu e a Terra , do poeta maranhense. Lamentou, então, o abandono, por Gentil, da poesia, a fim de entrar na vida pública. O mesmo se poderá dizer de Luiz, quando, finalmente, ele decidir publicar sua poesia – em breve, tenho certeza –, seguindo o exemplo de seu irmão mais novo, Alvacir Raposo Filho, médico recentemente admitido como membro da Academia Pernambucana de Letras. Luiz chama minha atenção para coisas óbvias. Óbvias, bem entendido, depois de serem ...

Meio ambiente na ilhinha

Jornal O Estado do Maranhão Uma velha amizade e uma mais velha ainda admiração pelo comovente esforço de auto-organização de comunidades pobres em São Luís levaram-me a falar sobre preservação ambiental, quarta-feira passada, à noite, dia mundial do meio-ambiente, em uma pequena igreja na Ilhinha. Embora essa não seja mais minha área de atuação profissional, um amigo meu, o jornalista Aldir Dantas, homem profundamente religioso, atuante na Igreja Católica, na Pastoral Familiar, achou que minha experiência como Secretário de Meio Ambiente do governo Roseana Sarney, poderia ser de alguma utilidade em uma conversa informal com membros da comunidade Santo Antônio, naquele bairro. O convite veio dessa avaliação feita por ele e um pouco, também, de sua perene esperança de minha conversão e da pronta redenção de meus pecados, que eles diz não serem muitos nem mortais. Será verdade? Mas, quem sabe, algum crédito ganharei por conta dessas poucas horas de aprendizado. Poderei usá-lo para alcança...

Começou de novo

Jornal O Estado do Maranhão De repente, me dou conta de que a Copa do Mundo, a décima sétima, iniciada há dois dias, é a décima terceira que acompanho, desde a da Suíça em 1954, minha primeira, quando o Brasil, vindo de uma inesperada derrota em 1950 para o Uruguai, no Maracanã, haveria de ser derrotado novamente, desta vez pela Hungria, bicho papão daquela época. Os húngaros, por seu turno, como o Brasil quatro anos antes, mas sem a vantagem de jogar em casa, perderam o título para a Alemanha, mesmo sendo os mais cotados para vencer. Em 1954, eu tinha seis anos de idade. Ainda se ouvia nos mais velhos o eco da derrota na Copa anterior. Quem foi culpado, quem não foi, faltou fibra, não faltou. Às vezes penso que, sem essa derrota, com seus ensinamentos, o Brasil não teria tido uma trajetória vitoriosa nesses torneios. Se considerarmos aqueles realizados de 1938 em diante, quando o Brasil ficou pela primeira vez entre as quatro equipes mais bem colocadas, e deixarmos de fora os dois pri...

Sérgio Barreto

Jornal O Estado do Maranhão Os amigos chegavam aos poucos, a partir das dez horas, buzinavam, abriam eles mesmos o portão e entravam sem pedir licença. Iam direto à cozinha, abriam a geladeira, tiravam uma cerveja, ou uma coca-cola, no congelador desde cedo, e sentavam-se a fim de conversar nos sábados pela manhã, na casa do Ipase. Falávamos de tudo e de nada, de todos e de ninguém. Conversávamos sobre coisas aparentemente triviais. O futebol, por exemplo, especialmente na época de Copa do Mundo, como nestes dias. Isso, acho, trouxe-me à lembrança agora aquelas manhãs em que nossos problemas e angústias do dia-a-dia desapareciam durante algumas horas. Perguntávamos pelas pessoas e por Zico, o cachorro pinsher da casa. Havia sumido de novo? O dono da casa, com um característico senso de humor e com um exagero muito próprio, dizia nunca ter visto tanto choro em toda sua vida como quando chegou a notícia do atropelamento que deixara o animal cego de um olho e capenga. “Quando eu morrer, v...

Brasil 2000

Jornal O Estado do Maranhão A construção de uma nação é uma empreitada de gerações, de caráter coletivo, sem donos nem chefes. Tem sido um equívoco persistente de muitos ver a história como um feito espetacular de homens de qualidades extraordinárias. Pela força da vontade, disciplina e capacidade de mando eles seriam capazes de moldar a trajetória dos povos, não importando a história anterior destes, seu ambiente natural e cultural, suas relações com sociedades diferentes das suas e outros fatores, poucas vezes passíveis de serem controlados por qualquer pessoa individualmente. Ao assinalar esse engano, não quero negar a importância dos líderes. Todo grupo humano, por necessidade de sobrevivência, precisa de uma direção. Como os talentos são distribuídos desigualmente, embora tenham uma distribuição normal, haverá sempre os indivíduos com menos habilidade para conduzir e os com mais. Estes tenderão a exercitá-la de fato. É um fenômeno natural. Desejo, apenas, enfatizar a grande import...

Bem da pátria

Jornal O Estado do Maranhão Saddam Hussein, o chefão do Iraque, é uma figura conhecida no mundo todo. As pessoas pensam nele apenas como um sujeito mau, com um bigode no estilo Stálin, que vive aterrorizando o povo iraquiano, com a prática de tiro ao alvo, ou melhor, de tiro à oposição.  Mas, como as agências de notícias internacionais, em especial as americanas, vivem dizendo, ele vai além disso. É a própria encarnação de Satanás na Terra, já que suas forças armadas possuem armas de destruição em massa. Os americanos, a julgar pela maneira de falar deles, não têm tal tipo de armamento nem sabiam que o Iraque o tinha durante a guerra deste país, então aliado dos Estados Unidos, contra o Irã. De qualquer modo, esse tipo de equipamento não pode ficar nas mãos de um diabólico qualquer como Saddam, um dos articuladores, junto, imaginem, com os inimigos iranianos, do eixo do mal, obsessivamente mencionado pelo presidente Bush, filho. No máximo, pode ficar sob o controle de caubóis texan...

Lua, júpiter, marte...

Jornal O Estado do Maranhão Escrevem-me alguns leitores. Dizem ter percebido algo estranho em meu artigo do último domingo. É que não havia nenhuma relação do texto com o título. Além disso, este era repetição de outro, “Todos os Santos”, de um artigo meu anterior, de março deste ano, sobre o livro Olhos da alma: Escola Maranhense de Imaginária , de autoria de Kátia Santos Bogéa, Emanuela Sousa Ribeiro e Stella Regina Soares de Brito. No artigo da semana passada, o assunto era diferente. Não era sobre santos, embora falasse do céu. Têm razão os leitores. Eu mesmo fiquei surpreso com o título que não dei. Explico. Um dia desses, eu ouvia uma bela canção popular americana, chamada “Fly me to the Moon”, do compositor Bart Howard. Nela, há o romântico pedido de um namorado a sua amada de irem juntos à Lua, a fim de cantar entre os astros, e a Júpiter e Marte, somente para ver como é a primavera lá. Eu me lembrei, então, dos avanços da humanidade na conquista do espaço sideral. Escrevi sobr...