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Pantojão

Jornal O Estado do Maranhão, 16/5/2010 Quando morre um amigo de décadas – amigo de 43 anos no caso de Afonso Celso Santos Pantoja –, é inevitável lembrar-me daquelas palavras de Machado de Assis, ditas há 122 anos, por ocasião da morte de seu amigo maranhense Joaquim Serra: “Quando há dias fui enterrar o meu querido Serra, vi que naquele féretro ia também uma parte da minha juventude.”. Envelhecer é em grande parte isso, ver que pouco a pouco parentes e amigos, gente que conosco conviveu por longo tempo, vão desparecendo, levando (para onde, afinal?) um pedaço do patrimônio em comum conosco, sua cota, por assim dizer, sem o ausente nomear um substituto, de um condomínio compartilhado de ideias, alegrias, tristezas, decepções, amores, ódios e todos os mais sentimentos que são parte da aventura de viver, e, ao mesmo tempo, e a despeito desse compartilhamento, formam experiência singular a cada ser humano, impossível de ser comunicada ao próximo em sua plenitude ou, ainda, de ser sentid...

A BOLA COMO METÁFORA

BLOG DE REINALDO AZEVEDO quarta-feira, 12 de maio de 2010 | 4:51 Sentei aqui para falar da não convocação de Neymar e Ganso. Mas acho que há algo mais rondando aqui a minha cachola. Na política, nas ciências, nas artes, no pensamento, a voz do povo não é a voz de Deus. Ao contrário até: o capeta costuma ser mais íntimo do alarido das ruas do que o Altíssimo. Os grandes horrores da história foram perpetrados quase sempre sob o calor enfurecido da turba ou sob seu silêncio frio e cúmplice. Se “o povo” fosse um ente, teria uma longa lista de crimes nas costas. Mas não é. A democracia representativa é uma grande invenção porque os lugares de mediação das demandas — o Legislativo, o Judiciário e o Executivo — geram eles próprios um novo saber, que é diferente do saber das ruas. Se as massas querem, para citar um exemplo, justiça imediata — de que o linchamento é expressão máxima —, o Poder instituído tem de dizer “não” porque esse imediatismo traz consigo o risco de degeneração do sist...

O CASO DOS BARCOS APREENDIDOS PELO IBAMA - O QUE FAZ, AFINAL, A SECRETARIA DE MEIO AMBIENTE DE SÃO JOSÉ?

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Barco colocado pelo Ibama sob a responsabilidade da Secretaria de Meio Ambiente de São José de Ribamar pelo Ibama e que foi danificado, tendo inclusive sido afundado. Foto do último dia 1 de maio  Detalhe de dano causado ao barco.   Utilizadas sem cuidado pelos que foram indevidamente passear e fazer comércio particular com o barco, com infração da lei, as velas foram danificadas, com prejuízo para o proprietário. Antes estavam cuidadosamente acondicionadas no interior da embarcação. O dono do barco, seu Pipi, tenta diminuir os danos.   Outro detalhe das velas danificadas. O Secretário de Meio Ambiente de São José de Ribamar, Isaac de Tal, telefonou para o fotógrafo Edgar Rocha e o ameaçou de denúncia à Polícia Federal, atitude típica de quem, vendo-se acossado pelos fatos, procura intimidar quem lhe exige o cumprimento da lei. Voltarei ao assunto no momento apropriado. O Secretário, por sinal, tentou intimidar também a presidente do Conselho Regi...

O Acordo Possível II

Jornal O Estado do Maranhão , 2 de maio de 2010 Um dos argumentos contra o Acordo de Reforma Ortográfica de 1990 é de caráter político-econômico na superfície, porém de fundo emocional em sua essência, de mistura com um nacionalismo démodé. Tomo como representativo dessa visão Vasco da Graça Moura, tradutor de A Divina Comédia , de Dante, para o português, renomado intelectual e um dos mais ativos opositores das mudanças. Por serem extremadas, suas posições acabam deixando claros pontos de vista implícitos que de outro modo não se mostrariam. Ele as formalizou no Diário de Notícias , jornal do Porto, entre 21.11. 2007 e 23.4.2008, e em intervenção na Assembleia da República de Portugal em 7.4.2008. Quais os seus argumentos? “Não deixará de haver grupos editoriais brasileiros que a grande velocidade lhe tomarão (de Portugal) o lugar em África [...] uma vez que não têm de fazer absolutamente nada para se adaptar à situação” (28.11.2007). Desta vez o grande homem se deixa levar pela e...

Pensamento do Companheiro boliviano Morales

Hormônios Morales diz que consumo de frango deixa homens sem virilidade e carecas Plantão | Publicada em 21/04/2010 às 10h45m Comente Notícia de O Globo on line TIQUIPAYA, BOLÍVIA - O presidente boliviano, Evo Morales, disse que os homens devem ficar longe de frango, se quiserem manter seus cabelos e sua virilidade. Em uma conferência sobre Meio Ambiente,realizadanesta terça-feira, na Bolívia, Morales afirmou que os produtores de frango injetam as aves com hormônios femininos ''e por isso, os homens que os consomem podem ter problemas para ser homens". Ele também sugeriu ''o consumo de frango por muito tempo pode tornar os homens ficam carecas". Os produtores de frango na Europa, Estados Unidos e de outros países alegam terem abandonado o uso de hormônios em aves há várias décadas. O presidente boliviano também criticou a Coca-Cola, sobretudo por causa da famosa fórmula secreta da bebida. - Não é prejudicial. ... Imagine o que el...

Acordo Possível

Jornal O Estado do Maranhão , 18/4/2010 A reforma ortográfica da língua portuguesa, de 1911, adotada em Portugal, mas não no Brasil baseou-se em critérios fonéticos. Os etimológicos, usados até então, deixaram de ser usados. Foi o momento de tirar o ph de pharmacia, sc, de sciencia e assim por diante. O Brasil continuou no sistema antigo durante algumas décadas. Começou aí a divergência ortográfica entre o nosso português e o da Europa, ou mais propriamente, o de Portugal e suas colônias, hoje países independentes. Lembremos que a República portuguesa fora proclamada no ano anterior e a mudança ortográfica era uma forma de a nova ordem política diferenciar-se do antigo regime monárquico. A reação de intelectuais portugueses foi rápida. Alexandre Fontes em A Questão Orthographica, Lisboa, 1910, reagiu assim à reforma que viria no ano seguinte: “Imaginem esta palavra phase, escripta assim: fase. Não nos parece uma palavra, parece-nos um esqueleto (...). Affligimo-nos extraordinariamente...

Post do blog de Reinaldo Azevedo: Texto sobre o “BOOK” é de Millôr Fernandes (Ver abaixo no meu post anterior a este o vídeo: "BOOK, A Revolução" )

quinta-feira, 15 de abril de 2010 | 16:10 O texto do vídeo que publico abaixo sobre a revolução tecnológica produzida pelo “BOOK” é uma versão em espanhol de um texto de Millôr Fernandes. Segue, pois o original, de Millôr. Um novo e revolucionário conceito de tecnologia de informação Na deixa da virada do milênio, anuncia-se um revolucionário conceito de tecnologia de informação, chamado de Local de Informações Variadas, Reutilizáveis e Ordenadas - L.I.V.R.O. L.I.V.R.O. representa um avanço fantástico na tecnologia. Não tem fios, circuitos elétricos, pilhas. Não necessita ser conectado a nada nem ligado. É tão fácil de usar que até uma criança pode operá-lo. Basta abri-lo! Cada L.I.V.R.O. é formado por uma seqüência de páginas numeradas, feitas de papel reciclável e capazes de conter milhares de informações. As páginas são unidas por um sistema chamado lombada, que as mantêm automaticamente em sua seqüência correta. Através do uso intensivo do recurso TPA - Tecnologia do Pa...