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Outra casa, outra vida

Jornal O Estado do Maranhão A expansão de São Luís, até meados dos anos 60 do século XX, se dava no eixo que, saindo da rua Grande, passava pelo Monte Castelo até chegar ao Anil, em continuação de tendência que vinha de meados do século XIX. As construções , no governo José Sarney, da barragem do Bacanga, da margem direita à esquerda do rio Bacanga, e da ponte do São Francisco, ligando o centro histórico à margem direita do rio Anil, reorientaram esse movimento. Espaços de ocupação urbana se abriram naqueles locais antes isolados, o que deu origem a novos bairros. Era uma nova cidade brotando, com taxas elevadas de crescimento, ao tempo em que a antiga experimentava baixo crescimento e era obrigada a permanecer com atividades econômicas de pouco dinamismo. No início dos anos 50, quando o Monte Castelo ainda se beneficiava daquela tendência secular, meus pais decidiram ali construir uma casa, sob veemente protesto de minha avó paterna, que não admitia a mudança para “aquele fim de mu...

Presidente Jomar Morais

Jornal O Estado do Maranhão Cumprem-se na próxima quinta-feira, dia 2 de fevereiro, 22 anos da posse de Jomar Morais, como presidente da Academia Maranhense de Letras, em solenidade realizada também numa quinta feira. O presidente que sai recepcionou na Academia o que entra agora, Joaquim Itapari, em 1987 e, por coincidência, o professor Luís Rego, substituído na Presidência pelo primeiro, o foi na Cadeira N o 4 pelo segundo Daí se pode perceber os vínculos que unem Jomar e Itapari. Um, vínculo da amizade e outro, do destino. A nova Diretoria, da qual sou o Secretário Geral, receberá naquela data uma instituição admirada pela sociedade, como dá prova o interesse de nela tomar assento de parte de muitos intelectuais maranhenses. A imensa contribuição de Jomar à vida intelectual do Maranhão e à AML, pela qual tem amor verdadeiro e à qual dedicou grande parte de seu tempo, talento e recursos pessoais durante todos estes anos, não termina na semana vindoura. Seu trabalho começou antes ...

TIM, sem tintim

Jornal O Estado do Maranhão Consumo e dor. O consumidor obtém apenas isso no mercado, sumidouro de sua dignidade e paciência, quando ele tem de lidar com empresas de telefonia. Fizemos, como já disse antes aqui, progresso no Brasil com a privatização do setor. Dessa forma, milhões de brasileiros tiveram oportunidade de possuir telefone a preços razoáveis. Antes, o serviço era privilégio de gente bem de vida. O outro lado da moeda, lembrei ainda, seria o risco de violação dos direitos do consumidor pelas concessionárias, grandes multinacionais, cujo imenso poder de mercado deriva de seu tamanho, se se confirmasse a hipótese provável de o governo não aplicar com rigor a legislação contra as tendências oligopolísticas delas. Uma das práticas que incentivam comportamento como esse é a chamada fidelização, injustificada imposição pela qual o assinante não pode desistir da utilização de sua linha antes de certo tempo, sob pena de multa, ainda que insatisfeito com os serviços. Um tipo de...

Questão de fé

Jornal O Estado do Maranhão   Ofereço ao preço de, apenas, dez minutos de leitura e paciência, corrente que recebi de leitor anônimo. Ela é autêntica e não transitou nessa internet cheia de vírus e dos tais programas-espiões que infernizam a vida dos usuários. Para chegar a milhares de lares, passou tão-só pelo correio tradicional e pela infinita credulidade humana. Eis a peça, como a recebi na passagem do Ano Novo. “O original desta corrente está num cofre-forte do PT em São Paulo, mas suas cópias rodam o mundo inteiro. Ao enviá-la você vai ter muita sorte. Não mande dinheiro, principalmente se for em real. A felicidade não tem preço, a não ser em euro. Envie você mesmo 1.321 cópias pelo correio pra pessoas azaradas. Não ignore esta carta, ela deverá ser enviada em no máximo 23 horas e14 minutos. Isto não é brincadeira nem superstição. É uma corrente enérgica ou energética, não sei bem, tem alguma coisa com energia positiva. Saddam Hussein recebeu, não deu importância e ainda ...

A outra metade

Jornal O Estado do Maranhão Nísia Floresta Brasileira Augusta era o pseudônimo de Dionísia Gonçalves Pinto, nordestina do Rio Grande do Norte. Ela viveu no século XIX e foi, no Brasil, pioneira na defesa dos direitos das mulheres, numa época de completo domínio dos pais, maridos e, até, irmãos sobre elas, que tinham alguns direitos básicos negados: os de se educar, votar e trabalhar fora do lar. Em sua maioria analfabetas, eram com facilidade controladas. A primeira obrigação delas era o de submissão à vontade masculina, imposição vendida como lei da natureza. Nísia escreveu vários livros em português, francês e italiano, entre eles Direitos das mulheres e injustiça dos homens , de 1832, o mais conhecido, em que rejeita a superioridade masculina. Ela defendia a idéia de ser a educação feminina o melhor caminho de tornar as mulheres boas mães e esposas. Essa visão, hoje com ares de coisa retrógrada, representou no seu tempo um grande avanço, pois valorizava o papel social delas, que at...

Papagaios, Patos, Gatos E Perus

Jornal O Estado do Maranhão   Seu Antônio, viúvo, aposentado solitário, morador de Brasília, tinha um papagaio havia mais de quarenta anos, sua única companhia depois da morte da mulher. (Não sei se o animal tem vida tão longa, confio na informação da TV.). Tinha também um vizinho inimigo de papagaios, à semelhança daquele outro de Timon, no Maranhão, que não gostava de cachorros, em especial de Bingo, que o mordeu, despertando-lhe a ira, disso resultando denúncia à polícia e prisão do cachorro, humano também (como o papagaio), na divinatória classificação do ex-ministro do Trabalho, Rogério Magri, pois, como se vê hoje, bicho virou gente, a julgar por clínicas de estética, hotéis, academias de ginásticas e salões de beleza que antes serviam apenas aos chamados seres racionais, mas agora prestam serviços aos clientes de quatro patas, que fazem gato e sapato de seus pretensos senhores. O caso do viúvo, porém, é outro. Ele queria apenas companhia confiável, alguém para lhe aliviar a...

Ratos e Homens

Jornal O Estado do Maranhão Pesquisas científicas que procuram maneiras de utilizar células-tronco em seres humanos provocam intensos debates, pelas dúvidas que suscitam no campo da ética. Ao contrário das demais células, elas são capazes de se diferenciar, constituir diferentes tecidos em nosso organismo e de se auto-replicar. No entanto, tão-só as embrionárias, assim chamadas por serem encontradas nos embriões, podem se diferenciar ou se transformar em qualquer um dos 216 tecidos do corpo humano. O restante das células-tronco podem, em um caso, modificar-se em quase todos os tecidos, menos na placenta e anexos embrionários; em outro, se diferenciam em poucos; no último caso, em apenas um tecido. Elas poderão ser úteis, para citar somente dois casos de aplicação promissora, na cura da diabetes e na regeneração de lesões graves. (Não, eu não me tornei de repente um especialista no assunto, só usei a internet para obter essas informações no sítio do jornal O Estado de S.Paulo , na seçã...