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Rio + 10

Jornal O Estado do Maranhão A Cúpula Mundial para o Desenvolvimento Sustentável, conhecida como Rio +10, numa referência à Rio-92, será realizada entre 26 de agosto e 4 de setembro, em Johannesburg, África do Sul. Seus organizadores divulgaram recentemente um estudo das Nações Unidas, “Desafio Global, Oportunidades Globais”, que servirá de base às discussões do encontro. Algumas das conclusões são bastante pessimistas. Caso o atual padrão de desenvolvimento seja mantido por mais vinte e cinco anos, o uso de combustíveis fósseis e a emissão de gases geradores do efeito-estufa aumentarão consideravelmente. Quase três bilhões e meio de pessoas sofrerão inevitavelmente de falta de água e as florestas continuarão a desaparecer rapidamente. Segundo, ainda, o estudo, a poluição atmosférica causa, atualmente, a morte de três milhões de pessoas. Outras trezentas milhões sofrem de malária, um bilhão não têm acesso a água potável e dois bilhões a saneamento básico. Em outro estudo, a Organização ...

Promessas

Jornal O Estado do Maranhão As eleições presidenciais sempre foram, e sempre serão, um prato cheio de promessas delirantes, inconsistentes e danosas à economia. Essa patologia acentua-se com a aproximação da data da votação. Quanto mais próxima esta, mais besteiras os candidatos produzem, com pose e ares de sabichões. Tem para qualquer gosto. Você vê necessidade de o país criar dez milhões de empregos? Algum pretendente ao poder promete ajoelhado. Os juros são altos? Nada de preocupação. Um decreto eliminará o problema que, por maldade e má fé, o governo atual não quis resolver. O salário é baixo, impedindo a compra da geladeira, do fogão, do automóvel, da televisão, dos brinquedos dos filhos, dos Cds de Xitãozinho e Xororó? Uma lei, aumentando o salário de todos, levará a classe operária ao paraíso, no primeiro dia de governo. Tudo muito fácil. As aposentadorias são baixas, o funcionalismo público não teve acréscimos nos vencimentos? Vamos aumentá-los, para torná-los “dignos” e “justo...

Bingo

Jornal O Estado do Maranhão Eu vi Bingo na televisão. O pobre caminhava surpreso, deprimido, alheio ao ambiente, indeciso, sem rumo, com o olhar perdido no horizonte, cheio de revolta contra as injustiças da vida. Não caminhava propriamente. O coitado era conduzido por um amigo que, de vez em quando, acariciava-lhe a cabeça e enxugava-lhe, furtivamente, incontroláveis lágrimas, saídas dos olhos melancólicos de Bingo. Ele fora preso. Até aquele momento, não sabia por quê. O que acontecera? Qual o seu crime? Assaltara, roubara, matara, atentara contra a economia ou a segurança nacional, comandara um ataque especulativo contra a moeda nacional, dera um golpe no mercado financeiro, sumira com o dinheiro de fundos de pensão, renegara a pátria? Falara mal do presidente, do papa, dos evangélicos, dos militares, dos políticos? Envolvera-se em um incidente diplomático? Nada disso. Mordera um vizinho. Mordera? Sim, mordera. Ele irritara-se com algo desagradável nos modos do vizinho e, usando um ...

Em defesa do centro histórico

Jornal O Estado do Maranhão Há algum tempo houve uma polêmica em São Luís sobre a utilização de barreiras eletrônicas para o controle da velocidade de veículos em avenidas movimentadas. Alegava-se que o limite estabelecido, de trinta quilômetros por hora nos locais onde as barreiras foram colocadas, e tão somente ali, deixaria os motoristas sujeitos a assaltos ou provocaria engarrafamento do trânsito. Houve até quem procurasse a justiça para impedir o uso delas, com sucesso passageiro. Até agora, passados meses e meses, ninguém ouviu falar em assaltos nesses pontos nem em engarrafamentos de natureza diferente daqueles que podem ocorrer em qualquer lugar da cidade. Sabe-se, sim, da redução substancial, se não do desaparecimento, com a implantação das barreiras, de mortes por atropelamento e de acidentes nos locais em que elas se encontram. Como ocorreu nas cidades em que esse salva-vidas tem sido utilizado. A realidade dos fatos levou ao desaparecimento das resistências. Elas certamente...

Gaioso

Jornal O Estado do Maranhão Fui surpreendido, recentemente, por um convite do professor Sebastião Duarte, da Academia Maranhense de Letras. Sob a direção dele, a série Maranhão Sempre, da Editora Siciliano, patrocinada pelo governo do Estado, já editou, ou reeditou, vários livros importantes para a história e a cultura do Maranhão. Alguns com edição esgotada, e raros. Eles estão agora à disposição dos estudiosos de temas maranhenses. Entre os já publicados temos a História da missão dos padres capuchinhos na Ilha do Maranhão e suas circunvizinhanças , do padre Cláudio d’Ábeville, em tradução de César Marques, autor do famoso Dicionário histórico-geográfico da Província do Maranhão , este atualmente em reedição por Jomar Moraes, presidente da Academia; a Relação sumária das cousas do Maranhão , de Simão Estácio da Silveira; a Estatística histórico-geográfica da Província do Maranhão de Antônio Bernardino Pereira do Lago. Clássicos, todos eles, da nossa historiografia. Outras obras ...

Espírito santo?

Jornal O Estado do Maranhão Tem-se falado muito ultimamente sobre os perigos de instabilidade econômica, decorrente da proximidade das eleições, sobre a falta de confiança dos mercados nas informações de balanço de grandes empresas norte-americanas, por causa da maquiagem de seus resultados operacionais, com reflexos no mundo todo, e sobre a crise da Argentina e seus efeitos negativos na nossa economia. Preocupações importantes. Mas, acredito, não tão importantes quanto as surgidas com a não-intervenção no Espírito Santo, episódio muito perigoso para o futuro do país. Todos conhecem, atualmente, o poder imperial do crime organizado no Estado. As evidências são abundantes e crescentes. Segundo os Ministérios Públicos, capixaba e federal, a Polícia Federal e a CPI do Narcotráfico, uma tal de Scuderie Detetive Le Cocq, entidade paramilitar, semelhante às que existem por aí em muitas republiquetas, atua lá, mediante extorsão, intimidação, assassinatos, fraudes, suborno e tudo o mais que se...

Os argonautas Brasileiros

Jornal O Estado do Maranhão Quando Jasão encarregou Argos da construção de um barco com capacidade para vinte e três homens, o projeto foi considerado grandioso demais, naqueles tempos antigos. Ele queria desafiar os perigos do oceano tenebroso, a fim de recuperar uma lã de carneiro, de ouro, chamada velo ou velocino, pertencente a sua família, de dentro uma gruta sagrada guardada por um dragão eternamente insone. Para companheiros de aventura, chamou alguns dos maiores heróis e semideuses da Grécia. Os argonautas, assim chamados por causa do nome do construtor do barco, fizeram-se ao mar e chegaram a um império distante e misterioso. Lá, Jasão foi obrigado a arar a terra com touros de pata de bronze, que soltavam fogo pela boca e pelas narinas, e semear os dentes de um dragão, dos quais surgiram batalhões de guerreiros que o atacaram. Pois Jasão superou todas as ameaças, com o apoio de Medéia, filha do rei. Depois, com o uso de uma poção preparada por ela, pôs o dragão para dormir e r...