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Disciplina filipina

Jornal O Estado do Maranhão De louco e técnico de futebol, todo brasileiro tem um pouco. Por essa razão, resolvi meter a colher nessa história da cartilha de bom comportamento da seleção brasileira de futebol que irá à Copa do Mundo deste ano no Japão e na Coréia. O nosso técnico, o simpático e disciplinador coronel Filipão, dono  do estilo os-brutos-também-amam, resolveu estabelecer com esse decreto esportivo, verdadeira Ordenação Filipina dos pampas, regras rigorosas a serem seguidas pelos jogadores. Embora tenha um nome italiano, Filipe Scolari – ou pré-Scolari segundo a turma do humorístico da TV, Casseta e Planeta –, é um verdadeiro alemão quando se trata de manter a disciplina de seus comandados. Escreveu, não leu a cartilha, o pau comeu. Escapadas noturnas, conversas ao celular, atrasos são faltas imperdoáveis. Sexo, nem pensar. Dizem ser ele o primeiro a dar o exemplo de abstinência. Qualquer um, quando surpreendido em pecado, como Romário, é punido com a exclusão do “grupo...

Falsidades

Jornal O Estado do Maranhão Vem da rica e culta Alemanha uma história inusitada. O primeiro-ministro daquele país, Gerhard Schroder, foi “acusado” de pintar seu cabelo, antes supostamente grisalho. Os alemães estão em campanha para eleições gerais. No vale-tudo próprio do período, os partidos de oposição a Schroder, aproveitando-se de uma informação de um desses jornais popularescos, comuns no mundo todo, dizem ser ele tão enganador quanto seus cabelos pintados. Ele não teria sido honesto o suficiente para revelar o trato que dera no cabelo, para simular ser mais jovem do que realmente é. Se ele engana com o cabelo, enganará também com o dinheiro público, parece ser o raciocínio alemão. É como se o sujeito que pinta o cabelo não passase de um vulgar estelionatário, pelo uso de uma imagem falsa. O primeiro-ministro reagiu imediatamente e processou, ou ameaça processar, o jornal que deu a informação, esta sim falsa, segundo ele. Isso me faz lembrar a primeira candidatura de Richard Nixon...

Transparência

Jornal O Estado do Maranhão O fim de um governo é sempre ocasião para avaliações, embora provisórias. Em definitivo, elas somente são feitas, com justiça, depois de o calor da hora e as paixões dos interesses imediatos serem apagados pelo tempo. Mas, certamente cada um pode dar seu testemunho, que poderá constar dos autos da história a ser escrita pelos historiadores do futuro. É isso que hoje quero fazer. Não podendo fazê-lo, no entanto, sobre todos os aspectos dos mais de sete anos dos dois mandatos sucessivos da governadora Roseana Sarney, pois para isso seria necessário escrever um livro de muitas páginas, examino, apenas, um deles, por conhecê-lo de perto. Falo da transparência com que ela revestiu sua administração desde o primeiro dia de governo. Cito alguns exemplos. O primeiro é o da Comissão Permanente de Licitação – CPL, criada logo no início do primeiro mandato da governadora. Desde então, tem sido dirigida pelo Dr. Francisco Batista, homem conhecido por sua honestidade e r...

Opiniões

Jornal O Estado do Maranhão Alguns juízes dos tribunais superiores brasileiros deram ultimamente para emitir de público opiniões sobre os assuntos polêmicos de interesse da sociedade, discutidos através da mídia. É evidente ninguém ter a pretensão de que eles não devam ter opinião. Não se trata disso. Porém, ao agir dessa forma, eles podem, involuntariamente, dar a impressão de pré-julgarem ações que, eventualmente, possam ser levadas a sua apreciação. Não sou advogado nem entendo em profundidade de leis, mas sempre ouvi meus amigos especialistas em direito enfatizarem a necessidade de um juiz só dar sua opinião nos autos do processo. Se não há, ainda, processo, recomenda a prudência um comportamento igual em situações tendentes a gerá-los. Em vista da inconstância das opiniões humanas, é uma atitude ajuizada, pois quem garante que a interpretação dada hoje, no calor do momento, sob o foco quente dos holofotes da mídia, sob a emoção enganosa de se ver sua opinião noticiada em cadeia na...

Segurança para todos

Jornal O Estado do Maranhão É de Chico Buarque de Holanda a letra de uma canção popular em que ele, ironicamente, pede para chamarem o ladrão, por falta de confiança na polícia. Ele se referia aos tempos da ditadura, época em que fez a composição. Naquele período, o cidadão, envolvido ou não em atividades políticas oposicionistas, podia, de repente, ser arrancado de seu lar sem que dele jamais se voltasse a ter notícias. Mais tarde, com a redemocratização, a polícia deixou de ser política. Retornou, então, com todos os seus defeitos e virtudes, a suas antigas funções de proteger a integridade dos cidadãos. Mas, o país cresceu muito de lá para cá. As cidades incharam com a rápida urbanização e a violência passou a fazer parte do cotidiano brasileiro. Vê-se quase diariamente, hoje, assaltos, seqüestros, assassinatos, chacinas e todo tipo de violência nas nossas cidades. De tão freqüentes, esses crimes já não criam a indignação capaz de levar à ação e ao enfrentamento de problemas. Causam...

Todos os Santos

Jornal O Estado do Maranhão Hostes celestiais estarão presentes à solenidade de reinauguração no próximo dia 22, sexta-feira, às 19 horas, do Palácio Arquiepiscopal de São Luís, restaurado graças às gestões da governadora Roseana Sarney na obtenção de recursos do Programa Mecenato do Ministério da Cultura. Refiro-me à corte formada por santos maranhenses. Digo de outra forma: por imagens de santos. Melhor ainda: por fotos de imagens de santos. Explico-me. É que, por ocasião da reinauguração, será lançado o livro Olhos da alma: Escola Maranhense de Imaginária , de autoria de Kátia Santos Bogéa, Emanuela Sousa Ribeiro e Stella Regina Soares de Brito, sob a coordenação editorial da primeira autora. O livro tem um belo conjunto de fotografias de santos feitos no Maranhão e um bom texto. Patrocinado pela Petrobrás, com o apoio do governo do Estado e da Fundação Sousândrade, ele é o resultado de uma pesquisa histórica que cobre o período desde a época colonial até o início do século XX. A id...

Os nomes

Jornal O Estado do Maranhão Os nomes. A angústia são os nomes se diluindo no esquecimento pouco a pouco. De gente e de coisas. Os nomes de tudo. Da mãe, do pai, do marido, dos filhos, dos netos, dos bisnetos, das amigas. Do bairro, em outros tempos chamado por outro nome, onde se ouviam os sons de óperas e operetas, de vozes de grandes cantores e cantoras, e a música de grandes filmes americanos, de xotes, baiões e xaxados brasileiros, de cantores populares e de clássicos. As lembranças serão, talvez, apenas a melodia ao longe. Haverá, quem sabe, apenas sons sem nomes. Como comunicá-los àquele que olha tristemente risonho tentando compreender, se eles não acodem à memória? Parece que nada tem nome ou jamais voltará a ter, como teve no passado que lentamente vai embora. Mas, como ter certeza desse destino inexorável, se agora, na hora de maior necessidade de repelir essa solidão, agora que podem, depois de tanto tempo, de tanta luta, ser ditos gratuitamente, os nomes para dizer isso som...